14 junho 2026

Casamento, gratidão e reciprocidade

Casamento não é uma competição para descobrir quem faz mais. Também não deveria ser um lugar onde uma pessoa carrega o peso de tudo enquanto a outra apenas observa. Casamento é parceria.

Muitas vezes, quando falamos sobre divisão de tarefas, pensamos apenas nas atividades visíveis: lavar a louça, cozinhar, trabalhar fora, cuidar dos filhos, limpar a casa. Mas existe uma carga que quase ninguém vê: a responsabilidade de lembrar, organizar, planejar, supervisionar e garantir que tudo funcione. E, frequentemente, essa carga continua recaindo sobre uma única pessoa.

Durante muito tempo, a cultura estabeleceu papéis bem definidos. O homem assumia a responsabilidade principal pelo sustento financeiro, enquanto a mulher cuidava do lar e da família. Independentemente das opiniões sobre esse modelo, havia uma compreensão clara sobre quem era responsável por cada área.

Hoje, muitas mulheres escolheram ou precisaram ingressar no mercado de trabalho. E não há nada de errado nisso. Existem motivos legítimos e valiosos: necessidade financeira, vocação, realização pessoal, contribuição para a sociedade e muitos outros.

O problema não está no trabalho feminino. O problema surge quando a balança deixa de existir.

Em muitos lares, a mulher passou a acumular responsabilidades. Trabalha fora, cuida da casa, acompanha os filhos, organiza compromissos, administra a rotina e ainda carrega a responsabilidade mental de garantir que nada seja esquecido. Mesmo quando as tarefas são divididas, frequentemente a gestão delas continua sendo dela. Ela não apenas executa; ela coordena.

Enquanto isso, muitas vezes ouvimos a frase: "Eu ajudo em casa."

Mas casamento não é ajuda. Ajuda é algo que fazemos na responsabilidade de outra pessoa. Em uma parceria, ambos são responsáveis pelo bem-estar da família e do lar.

Isso não significa que tudo precise ser dividido exatamente ao meio. Cada casal possui sua realidade, seus dons, suas limitações e sua dinâmica. O importante não é a matemática perfeita, mas a reciprocidade sincera.

Reciprocidade é perceber o esforço do outro e responder a ele com amor. É enxergar o cansaço do cônjuge e procurar aliviar sua carga. É assumir responsabilidades sem precisar ser lembrado. É compreender que a casa, os filhos, as contas e a vida pertencem aos dois.

E junto com a reciprocidade vem a gratidão.

A gratidão transforma a rotina. Ela faz com que o café preparado, a roupa dobrada, a conta paga, a criança colocada para dormir e tantas outras pequenas atitudes deixem de ser obrigações invisíveis para se tornarem expressões concretas de amor.

Casamentos fortes não são construídos apenas por grandes declarações ou momentos extraordinários. Eles são sustentados por milhares de pequenos gestos diários de serviço, reconhecimento e cuidado mútuo.

Quando existe gratidão, ninguém se sente usado.

Quando existe reciprocidade, ninguém se sente sozinho.

E quando existe parceria verdadeira, o peso da vida deixa de estar sobre os ombros de uma única pessoa e passa a ser carregado por dois, como sempre deveria ter sido.

13 junho 2026

Covid-19

COVID-19: Uma pandemia que marcou o mundo e minha história

A COVID-19 é uma doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Os primeiros casos foram identificados no final de 2019, na cidade de Wuhan, na China. Em poucos meses, o vírus se espalhou rapidamente pelo mundo, levando a Organização Mundial da Saúde a declarar uma pandemia em março de 2020.

A partir daí, a vida de bilhões de pessoas mudou. Escolas fecharam, eventos foram cancelados, famílias precisaram se adaptar ao isolamento social e profissionais da saúde enfrentaram uma das maiores crises sanitárias da história recente. O vírus se espalhava facilmente através das vias respiratórias, causando sintomas que variavam desde casos leves até quadros graves, especialmente em pessoas mais vulneráveis.

Eu tive COVID-19 pela primeira vez ainda no início da pandemia, por volta do final de julho de 2020. Naquela época, havia muito medo e incerteza. Pouco se sabia sobre a doença, e cada novo caso vinha acompanhado de preocupação e dúvidas.

Recentemente, porém, enfrentei a COVID-19 novamente. Ainda estou me recuperando.

Tudo começou em uma sexta-feira, com dor de cabeça, dor de garganta e tosse. Apesar dos sintomas, participei de um chá de panela naquela noite. No sábado, os mesmos sintomas pioraram bastante, mas ainda assim consegui ir à apresentação de Dia das Mães da minha filha de 4 anos e levá-los ao projeto que frequentam aqui perto.

O domingo foi, sem dúvida, o pior dia. A febre apareceu, a dor de cabeça ficou intensa e a tosse se tornou muito mais forte. O cansaço foi tão grande que praticamente dormi da noite de sábado até a manhã de segunda-feira.

Na segunda-feira já comecei a perceber uma melhora, embora ainda estivesse longe de estar totalmente bem. Aos poucos fui recuperando as forças, dia após dia. Quando completei sete dias de sintomas, surgiu a clássica combinação de diarreia e enjoo, algo bastante comum em muitos casos de COVID-19.

Hoje já se passaram duas semanas desde o início dos sintomas. Estou melhor, mas a recuperação ainda não terminou. A tosse continua, a coriza ainda aparece e a garganta segue incomodando de vez em quando.

Passar pela COVID-19 duas vezes, em momentos tão diferentes da história da doença, me faz lembrar que, embora muita coisa tenha mudado desde 2020, ela continua sendo uma enfermidade capaz de derrubar qualquer pessoa por vários dias e deixar efeitos que persistem mesmo após a fase mais intensa.

Com certeza não é uma coisa que desejo a ninguém.

E tem um detalhe quase cômico nessa história toda: sem saber que estava com COVID-19, eu acabei saindo normalmente nos primeiros dias dos sintomas. Fui a um chá de panela na sexta-feira, participei da apresentação de Dia das Mães da minha filha no sábado e ainda levei as crianças ao projeto.


Na minha defesa, eu realmente achava que era apenas uma gripe ou um resfriado qualquer. Afinal, dor de garganta, tosse e dor de cabeça podem ser tantas coisas... Só depois que os sintomas pioraram e a febre apareceu é que ficou claro que havia algo mais acontecendo.


Então fica aqui meu pedido de desculpas para quem cruzou meu caminho naquele fim de semana. Não foi por maldade, rebeldia ou falta de cuidado. Foi apenas uma mãe tentando seguir a vida normalmente enquanto, sem saber, servia de transporte público para um vírus microscópico. 😅


Felizmente, hoje estou me recuperando, mas a experiência serviu para lembrar que a COVID-19 ainda existe e que, às vezes, ela começa de forma tão parecida com uma simples gripe que nem percebemos o que está acontecendo até sermos atropelados pelos sintomas.

Assim que percebi que provavelmente era COVID-19, mudei completamente os planos. Fiquei em casa, deixei de visitar minha mãe no feriado e também não fui à igreja durante aqueles dias.


Foi frustrante, porque ninguém gosta de cancelar compromissos ou ficar longe das pessoas que ama. Mas era a atitude certa a fazer. Uma coisa é circular sem saber o que está acontecendo; outra é continuar normalmente depois de descobrir.


Olhando para trás, até dou risada da ironia da situação. Passei os primeiros dias da doença participando de eventos e levando as crianças para seus compromissos, sem imaginar que estava carregando um coronavírus de carona. Mas, assim que soube, tratei de me isolar e evitar contato com outras pessoas.


No fim das contas, essa experiência me lembrou que nem sempre conseguimos evitar tudo. Às vezes fazemos o melhor que podemos com as informações que temos naquele momento. E quando descobrimos algo novo, ajustamos a rota e seguimos em frente.

12 junho 2026

Não tenha um filho

Sério.

Não tenha.

Durma tranquilo. Viaje quando quiser. Gaste seu dinheiro apenas com você. Assista seu futebol sem interrupções. Compre seus cremes. Faça seus cursos. Invista na carreira. Durma até tarde aos domingos.

Não tenha um filho.

Porque, quando ele chegar, alguma coisa vai mudar.

Aliás, muita coisa.

E se você está procurando alguém para dizer que é possível ter filhos sem mudar nada, sinto informar: não é.

Não tenha um filho se a sua prioridade absoluta é você mesmo.

Porque filhos têm um péssimo hábito de precisar da gente.

Precisam quando estamos cansados.

Precisam quando estamos ocupados.

Precisam quando estamos doentes.

Precisam quando não estamos com vontade.

Precisam justamente naqueles momentos em que sonhávamos em não precisar de ninguém.

E é aí que a mágica acontece.

Porque ser pai ou mãe é passar a colocar alguém na frente de si mesmo inúmeras vezes ao dia.

Não tenha um filho se você acredita que sua vida continuará exatamente igual.

Não vai.

As prioridades mudam.

Os horários mudam.

Os planos mudam.

Às vezes até os sonhos mudam.

E isso não é uma tragédia.

É o processo natural de amar alguém mais do que a si mesmo.

Não tenha um filho se você não suporta choro.

Se não aguenta birra.

Se não tem paciência para repetir a mesma coisa cinquenta vezes.

Se não consegue lidar com teimosia.

Se não suporta criança que não quer comer.

Se não aguenta noites mal dormidas.

Porque criança faz tudo isso.

E muito mais.

Não tenha um filho se você não está disposto a gastar dinheiro.

Porque crianças custam dinheiro.

Comida custa dinheiro.

Roupa custa dinheiro.

Material escolar custa dinheiro.

Dentista custa dinheiro.

Pediatra custa dinheiro.

Exame de sangue custa dinheiro.

Óculos custa dinheiro.

Terapia custa dinheiro.

E, às vezes, a vida entrega desafios que você nunca imaginou enfrentar.

Deficiências.

Transtornos.

Doenças.

Limitações.

Não tenha um filho se você acredita que só conseguiria amar uma criança perfeitamente saudável, perfeitamente obediente e perfeitamente parecida com a que você imaginou.

Porque filhos reais não vêm assim.

Filhos reais vêm como são.

E amá-los significa abraçar tudo o que eles são.

Não tenha um filho se você não suporta a ideia de vê-los crescer.

Porque aquele bebê cheiroso que cabe nos seus braços vai embora.

Em poucos anos.

A infância passa voando.

A adolescência chega sem pedir licença.

E, quando você perceber, estará conversando com um adulto.

Um adulto que talvez vote diferente de você.

Pense diferente de você.

Faça escolhas diferentes das suas.

E isso faz parte.

Porque filhos não foram feitos para permanecer crianças.

Foram feitos para crescer.

Não tenha um filho se você quer controle.

Porque filhos são pessoas.

E pessoas não pertencem a nós.

Nós apenas cuidamos delas por um tempo.

Também não tenha um filho se você acha que será fácil.

Não será.

Haverá dias maravilhosos.

Haverá dias terríveis.

Haverá momentos em que você vai chorar escondido no banheiro.

Momentos em que vai duvidar de si mesmo.

Momentos em que vai errar.

Momentos em que vai pedir perdão.

Momentos em que vai achar que não consegue continuar.

Mas continue.

Porque, apesar de tudo que eu disse até aqui, existe um detalhe importante.

Um detalhe enorme.

Talvez o mais importante de todos.

Ter filhos é a melhor coisa que existe.

É a aventura mais difícil.

A mais cansativa.

A mais cara.

A mais imprevisível.

E também a mais bonita.

Nada se compara a ouvir uma risada que existe por sua causa.

A receber um abraço que correu pela casa inteira para encontrar você.

A acompanhar um ser humano aprendendo a falar, ler, pensar, sonhar e amar.

Nada.

Então, sim.

Não tenha um filho.

Se você não está disposto a dar seu tempo.

Seu conforto.

Seu dinheiro.

Sua paciência.

Seu coração.

Mas, se estiver disposto, descubra o que milhões de pais e mães já sabem:

que filhos dão trabalho.

Muito trabalho.

E que, estranhamente, esse trabalho vale cada segundo.