23 maio 2026

Eu sou um milagre: minha história de amor

Tem histórias de amor que começam devagar. A nossa começou como um terremoto dentro de mim. 🌷

Eu estava no pior momento da minha vida. Depressão, transtorno alimentar, anemia tão grave que parecia que meu corpo inteiro tinha desistido de existir. Eu também achava que Deus tinha desistido de mim. Andava escondida dentro de bonés e moletons, tentando ocupar o menor espaço possível no mundo.

E então eu vi ele.

O garoto que estava “pegando” minha melhor amiga.

O choque não foi porque ele era bonito — embora fosse. Foi porque alguma coisa dentro de mim parou. Como se Deus, aquele mesmo Deus que eu achava que tinha ido embora, sussurrasse no fundo da minha alma:

“É ele.”

Não fazia sentido. Nenhum. Mas eu sabia.

Um tempo depois, ele pediu para falar comigo. Minha amiga tinha me indicado para o grêmio estudantil, do qual ele era presidente. Eu estudava à tarde, ele de manhã, então fui até a escola cedo. Estava nervosa, obviamente. Achava que ia desmaiar, fugir ou falar alguma idiotice.

Mas foi normal.

E talvez tenha sido isso que me desmontou.

Na primeira reunião do grêmio, ele pediu para conversar comigo sozinho. Disse que sabia da minha namorada — e falou que eu tinha bom gosto. Disse que sabia do meu tratamento. Depois pediu para me ver sem boné.

E foi incrivelmente fofo. 🩷

Daquele momento nasceu uma amizade. Não qualquer amizade. Ele virou meu melhor amigo.

A vida seguiu confusa, como toda adolescência é. Minha amiga voltou para o namorado dela. Ele começou a namorar outra menina. E eu, doida da cabeça e do coração, me perguntava o que ela tinha que eu não tinha. Talvez cabelo bonito. Talvez coragem. Talvez menos bagunça emocional.

Mas seguimos amigos. Eu com minha namorada, ele com a dele. Nós três juntos. Um trio improvável tentando sobreviver ao ensino médio e aos próprios sentimentos.

Até que tudo explodiu.

Ele se envolveu numa briga e saiu da escola. Perdemos contato por um tempo. E nesse meio tempo eu encontrei Jesus.

Ou talvez Jesus tenha me encontrado.

Eu estava namorando um menino quando ele voltou a falar comigo. E bastou uma conversa para tudo dentro de mim balançar de novo. Era absurdo. Irritante. Injusto. Porque eu gostava do meu namorado. Gostava mesmo.

Mas ele…

Ele era diferente.

Era como se meu coração reconhecesse uma casa antes mesmo de eu entender o caminho até ela.

Então veio a confissão que bagunçou tudo: ele disse que sempre gostou de mim.

E eu não consegui responder.

Porque eu estava dividida entre o amor que eu tinha… e o amor que parecia destino.

Ele era ateu. Meu namorado também não ligava muito para Jesus. E eu, no meio daquela confusão, fiz a única coisa que sabia fazer:

orei.

Pedi para Deus me ajudar. Pedi clareza. Pedi paz. Pedi que, se fosse ele, Jesus encontraria ele também.

Naquela noite, sonhei que estava casando com ele.

E no dia seguinte — sem saber absolutamente nada da minha oração — ele pediu para ir à igreja comigo.

Naquele culto, ele aceitou Jesus.

E isso não resolveu minha confusão. Piorou tudo. Porque eu comecei a me perguntar se era real ou se era por minha causa. Chorei noites inteiras. Em uma delas, chorei com ele numa ligação até dormir.

Eu chamava aquilo de “A Saga Crepúsculo”: o amigo e o namorado. O caos emocional de uma adolescente tentando entender o próprio coração sem destruir ninguém no caminho.

Terminei meu namoro porque precisava pensar. Mas saí com ele para um show… e a química veio como uma explosão. Nos beijamos.

Erro?

Talvez.

Talvez tenha sido só inevitável.

Depois disso, ainda tentei voltar para o antigo relacionamento. Saí com meu ex. Ele me deu flores. Me pediu em casamento em público. E eu não consegui dizer não. Não queria humilhar ele. Não queria machucar ninguém.

Mas eu já estava me machucando demais.

Fiquei presa num nó. Um noivado sem paz. Um amor impossível me puxando de volta. E ele… sempre gentil. Me levando lanche na escola. Comprando materiais para meu curso normal. Me olhando como quem via beleza até nas partes que eu escondia do mundo.

Até que finalmente terminei tudo de vez.

Ele veio atrás de mim. Disse que queria ficar comigo agora que eu estava solteira.

E eu disse que precisava de tempo.

Porque precisava mesmo.

Então ele sumiu.

Um ano inteiro.

Até que a saudade venceu meu orgulho e eu mandei mensagem. Ele ficou feliz. Nós saímos. Perguntei se podíamos ter só uma amizade colorida.

Ele aceitou.

Mentira nossa, né? 😂

Porque desde o começo nós nunca fomos “só” nada.

Começamos a nos encontrar. Minha mãe nos viu juntos e eu disse que éramos amigos. Eu falava brincando que o pedido de namoro seria meu, quando eu me formasse.

Dois meses depois, estávamos sentados numa praça e, distraidamente, comecei a falar do nosso casamento. Das músicas. Dos detalhes. Das coisas pequenas que eu imaginava sem perceber.

Ele riu.

E me pediu em namoro ali mesmo.

Foram nove meses de namoro.

Dois meses depois eu já dormia na casa dele. Em três, estávamos noivos. Em cinco, eu estava grávida.

Então casamos.

De verdade. Com festa. Sem culpa. Sem medo. Com alegria.

E o casamento não foi fácil, claro. Nenhum casamento é. Nós crescemos juntos, erramos juntos, sobrevivemos juntos. Houve dias difíceis, dias pobres, dias cansados, dias em que parecia impossível.

Mas também houve amor.

Um amor enorme.

Daqueles que começam como um sussurro de Deus no meio da dor e, anos depois, viram quatro crianças correndo pela casa, bagunça na cozinha, noites cansadas, oração de mãos dadas e a certeza absurda de que valeu a pena.

Ele era o cara certo.

E talvez eu soubesse disso desde o primeiro olhar. 🩷

22 maio 2026

Eu sou um milagre: uma história de câncer


Quando eu tinha 20 anos, depois de anos lutando contra a anorexia, meu corpo já estava vencido. Eu estava extremamente desnutrida, sem menstruar há quase dois anos, fraca, quebrada.
E, ainda assim, de algum jeito estranho, eu lutava pela vida.
É difícil explicar isso para quem nunca passou por algo parecido. Eu queria morrer… mas ao mesmo tempo queria viver. Talvez eu não quisesse exatamente morrer. Talvez eu só quisesse matar a dor.
Já fazia acompanhamento com psicólogos e psiquiatras quando precisei fazer exames de sangue. O médico que me acompanhava era um senhor de mais de 80 anos, alguém que me conhecia desde pequena. Quando viu os resultados, levou um susto.
— Você está quase com leucemia.
Aquela frase caiu sobre mim como um raio.
Fui encaminhada para um hematologista no hospital infantil da capital, porque ali havia um excelente tratamento para leucemia, e eu ainda era muito nova. O médico que passou a me atender era jovem, talvez residente. Inteligente, mas duro. Ele me olhava com superioridade, como se eu fosse culpada não apenas pela minha doença, mas quase pela doença das crianças ao meu redor também.
Segundo ele, elas não tiveram escolha. Eu tive.
Durante quase um ano, minhas quartas-feiras foram tomadas por exames, consultas e quimioterapia. Ou “mini quimio”, como ele insistia em chamar. Meus exames pioravam semana após semana. O quadro era grave, severo. Mas ele se recusava a chamar de leucemia, porque, segundo ele, eu mesma tinha causado aquilo.
A quimioterapia era “fraca”, diziam. Fraca o suficiente para ainda me fazer perder cabelo. Fraca o suficiente para destruir o pouco de força que eu tinha.
Passei aquele ano convivendo com crianças em tratamento. Crianças pequenas, carequinhas, frágeis… e incrivelmente cheias de vida.
Eu almoçava a comida do hospital — que eu adorava — e tentava fingir que estava tudo bem.
Mas havia um detalhe: quase ninguém sabia.
Alguns amigos conheciam uma parte da história. Pouquíssimos sabiam da quimioterapia. Minha família sequer desconfiava da gravidade da situação.
E eu continuava piorando.
Foi ali que conheci duas pessoas que nunca esqueci.
Uma menininha de 7 anos, que vou chamar de Leah. Doce, pequena, corajosa.
E Vítor, um garoto de 17 anos, ateu, revoltado, engraçado e absurdamente humano. Ele se apaixonou por mim. Era fofo comigo de um jeito que eu não sabia receber naquela época. Mas meu coração estava preso em outra pessoa.
O tempo foi passando.
E eu só piorava.
Até que, no auge do meu desespero, eu encontrei Jesus.
Ou talvez tenha sido Ele quem me encontrou.
Na noite em que quase me matei, Deus me segurou.
Mesmo assim, eu ainda não conseguia comer. Meu corpo parecia rejeitar a vida. Então um dia o médico me disse algo que atravessou minha alma:
— Se você não comer, vai morrer. E mesmo que sobreviva, talvez nunca possa doar sangue. Nunca possa ter filhos.
Aquilo me destruiu.
Porque eu queria viver.
E mais do que isso: eu queria ser mãe.
Eu sonhava com meus filhos. Sonhava com uma casa cheia. Sonhava com sete crianças correndo pela casa. E naquele momento percebi que não queria entregar esse sonho para a doença.
Então eu pedi forças a Deus.
E Deus me curou.
Num culto simples e lindo, alguém olhou para mim e disse:
— Deus está te arrancando da sepultura. Ele está te curando agora.
Eu nunca esqueci essas palavras.
A partir dali, algo mudou dentro de mim.
Comecei a comer. Pouco a pouco.
Procurei uma nutricionista maravilhosa, que me ensinou novamente a ter uma relação com a comida. Uma colher de cada vez. Um passo de cada vez.
E meus exames começaram a melhorar.
Enquanto eu melhorava… Leah morreu.
Pouco tempo depois, Vítor também morreu.
E até hoje existe uma culpa silenciosa dentro de mim. Uma sensação difícil de explicar. Como se eles não tivessem tido escolha… e eu tivesse escolhido viver.
Mas talvez essa seja justamente a verdade.
Eu escolhi viver.
Mesmo quebrada.
Mesmo doente.
Mesmo com medo.
Terminei a última quimioterapia.
Sobrevivi.
Depois disso, doei sangue.
Aquilo que me disseram que talvez eu nunca pudesse fazer.
E tive filhos. Não um. Nem dois.
Quatro.
Quatro pequenos milagres correndo pela minha casa.
Hoje, olhando para trás, eu vejo aquela menina magra, assustada, sem esperança… e quase não acredito que sobrevivi.
Mas sobrevivi.
E nunca, em toda a minha vida, fui tão feliz quanto sou agora.
Eu sou um milagre.

07 maio 2026

A criação explica Deus


Desde o menor átomo até as galáxias mais distantes, a criação parece sussurrar que existe uma inteligência maior sustentando tudo. Há ordem onde poderia haver caos. Há beleza escondida em detalhes microscópicos que olhos humanos sequer conseguem enxergar sem ajuda. O universo é imenso demais, complexo demais, preciso demais. E ainda assim, no meio dessa vastidão impossível de medir, existe espaço para o bater de um coração dentro do ventre de uma mãe.
Talvez seja isso que mais impressiona: um Deus grande o suficiente para criar estrelas e delicado o suficiente para desenhar cílios em um bebê ainda não nascido.
A ciência revela mecanismos, processos, fórmulas, estruturas. E quanto mais revela, mais aumenta o espanto. O DNA carregando informações invisíveis. Ossos se formando silenciosamente no útero. Órgãos surgindo em perfeita harmonia. Átomos presentes em todas as coisas, como assinaturas espalhadas pela criação inteira. O universo parece gritar ordem, intenção e beleza.
Mas ao mesmo tempo, o mundo carrega rachaduras.
A maldade, a doença, a morte, o peso do sofrimento, a dor do parto, o cansaço da maternidade, os espinhos da existência. A criação ainda é bela, mas não intacta. Existe algo quebrado nela. Como uma obra-prima manchada pelo tempo. E é justamente aí que a teologia do pecado encontra sentido: o mundo não foi criado para a dor, mas foi atingido por ela.
Ainda assim, mesmo ferida, a criação continua apontando para Deus.
E talvez uma das marcas mais profundas disso esteja na própria humanidade. Deus não apenas criou seres vivos; criou criaturas capazes de criar. Não como Ele, em poder absoluto, mas à Sua semelhança. Por isso existem histórias, músicas, pinturas, invenções, literatura, cinema, descobertas científicas. Existe arte porque fomos feitos por um Artista. Existe imaginação porque fomos tocados pela criatividade do Criador.
E existe algo ainda mais profundo: participar da continuidade da vida.
Gerar um filho é um dos mistérios mais impressionantes da existência humana. Um corpo formando outro corpo. Um coração batendo dentro de outro coração. Uma nova pessoa surgindo silenciosamente no escuro do ventre, carregando traços, memórias genéticas, pedaços invisíveis de gerações inteiras.
Filhos são mais do que presença física. Eles carregam algo de nós pelo mundo. Podem crescer, atravessar oceanos, morar em outro país, construir outra vida. Ainda assim, levam nosso DNA, nossos traços, parte da nossa história vivendo neles. E talvez seja por isso que o amor de mãe parece tão próximo da eternidade: porque há algo de nós caminhando adiante mesmo quando não podemos mais segurar suas mãos.
No fim, toda criação — dos átomos às estrelas, da arte às crianças — parece ecoar a mesma verdade silenciosa: fomos feitos por um Deus imenso, mas profundamente atento aos detalhes. Um Deus cuja grandeza aparece tanto na vastidão do universo quanto na delicadeza de uma vida começando dentro de um ventre.