Eu era só uma criança. Tinha cerca de 9 anos quando os primeiros pensamentos começaram. E eles não iam embora. Aos 10, 11, 12… eles continuavam voltando. Aos 13 anos, vieram com força.
Eu me sentia culpada por tudo.
Mas era uma culpa sem nome.
Sem motivo claro.
Sem lógica.
Eu simplesmente acreditava que eu era o problema.
Eu vivia uma vida dupla. Igreja e mundo. Aparência e vazio. Eu amava a Deus, mas me sentia incapaz de ser o que eu achava que Ele esperava de mim. Aquela dualidade me esmagava por dentro. Eu não conseguia lidar com quem eu era e com quem eu achava que deveria ser.
Aos 16 anos, novas mudanças vieram — casa, igreja, escola. A escola se tornou um ambiente tóxico para mim. Eu me isolava. Não via sentido em nada. Às vezes saía de casa dizendo que ia estudar, mas só andava sem rumo. Eu estava fisicamente viva, mas por dentro… completamente desligada.
Então veio o fundo do poço.
Aos 18 anos, tudo parecia pesado demais. O ambiente escolar ainda me feriu. O ambiente de casa também. Eu desenvolvi bulimia nervosa e uma depressão profunda. Eu virei um “zumbi”. Eu andava, falava, respirava — mas não estava vivendo. Era como se eu estivesse assistindo a minha própria vida de fora.
Eu marquei uma data para morrer:
29/02/2012.
Uma data que quase não existe no calendário.
Eu não queria ser lembrada todo ano.
Eu realmente acreditava que aquela seria a solução.
Mas Deus já tinha marcado aquela data também.
No dia 29 de fevereiro, algo aconteceu.
Um abraço.
Não foi um sermão.
Não foi um culto.
Não foi um milagre visível.
Foi um abraço.
De uma colega nova. Alguém que eu mal conhecia. Mas ela carregava algo diferente. Ela carregava Jesus. Ela carregava amor. E naquele abraço eu senti algo que eu não sentia há anos: eu fui vista. Eu fui amada. Eu fui alcançada.
Naquele dia, em vez de morrer, eu me ajoelhei.
Eu pedi ajuda para Aquele que eu achava que tinha me abandonado — mas que nunca tinha saído do meu lado.
E Ele me arrancou do fundo do poço.
Não foi mágico. Não foi instantâneo. Não foi fácil. Mas foi real. Ele começou a reconstruir tudo o que estava quebrado. Ele me ensinou que culpa não é identidade. Que doença não é destino. Que pensamentos não são verdades absolutas.
Hoje, quando eu olho para trás, eu vejo uma menina que queria morrer —
mas vejo também um Deus que nunca desistiu dela.
O dia que eu marquei para ser o fim se tornou o começo do meu milagre.
E se você que está lendo isso sente que não há saída…
Eu sou prova viva de que há.
Porque eu quis morrer.
Mas Deus quis me dar vida.
E Ele venceu.



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