30 maio 2026

Resenha (Morte Súbita)

Esqueçam Harry Potter.

Esqueçam magia, castelos, profecias e a eterna luta entre o bem e o mal. Esqueçam até mesmo a ideia de que toda obra de um autor precisa parecer com a que o tornou famoso.

Morte Súbita é um livro sobre política. Mas também é sobre pessoas. Sobre famílias, vícios, preconceitos, pobreza, egoísmo, amor, abandono e todas aquelas pequenas e grandes tragédias que acontecem todos os dias sem que o mundo pare para olhar.

E não é uma leitura bonita.

Também não é uma leitura confortável.

Muito menos uma leitura com final feliz.

Ainda assim, foi um dos livros que mais me fez chorar.

Muita gente abandona a leitura. Talvez porque espere algo parecido com Harry Potter. Talvez porque os primeiros capítulos sejam lentos, carregados de descrições e apresentações. A cidade precisa ser construída diante do leitor, assim como seus moradores. E isso leva tempo.

Mas a profundidade dos personagens pede essa construção.

Já ouvi dizerem que é difícil se apegar a eles. Em parte, eu entendo. Não são personagens feitos para serem admirados. São pessoas comuns, cheias de defeitos, arrogâncias, preconceitos, fraquezas e escolhas ruins. Tão humanas que chegam a ser desconfortáveis.

Anos depois, talvez eu não lembrasse o nome de muitos deles.

Mas lembro da dor.

Lembro dos conflitos.

Lembro das injustiças.

A história gira em torno de uma pequena cidade dividida entre ricos e pobres. A política local se torna o palco de uma disputa entre aqueles que acreditam que os mais vulneráveis devem receber apoio e aqueles que acreditam que cada um deve resolver seus próprios problemas.

Parece familiar?

Mas o livro não entrega respostas fáceis.

Não existe um lado formado apenas por pessoas boas e outro formado apenas por pessoas ruins. Todos os grupos são imperfeitos. Todos carregam suas razões, seus interesses e suas cegueiras. E é justamente isso que torna a história tão real.

O final deixa um gosto amargo.

Não pela falta de qualidade, mas pela sensação de injustiça. Pela pergunta que fica ecoando depois da última página: será que o mundo realmente funciona assim? Será que existem pessoas que sofrem as consequências da maldade, dos erros e das disputas dos outros sem terem feito nada para merecer?

É um livro triste.

Cru.

Humano.

E justamente por isso tão marcante.

Então, antes de julgar a obra de um autor por outra obra que ele escreveu, dê uma chance a este livro.

Apenas leia. 📚✨

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