15 junho 2026

Resiliência

Resiliência.

Hoje em dia a palavra anda meio desgastada. Às vezes parece que significa fingir que nada dói, sorrir para tudo ou aceitar qualquer sofrimento calado. Mas não é isso.

Resiliência não é dizer que a dor não existiu.

É olhar para trás e reconhecer que ela existiu, que machucou, que deixou marcas, mas que não conseguiu destruir aquilo que era mais importante.

Nós passamos por uma pandemia. Vimos medo, incerteza, perdas e um mundo inteiro parar. Mas quando olho para trás, não consigo dizer que foi a pior época da minha vida. Foi difícil. Muito difícil. Mas também foi um tempo em que aprendemos o valor das pequenas coisas, da presença, da família reunida dentro de casa.

Passamos por uma enchente. Perdemos coisas que levamos anos para construir. Objetos, móveis, lembranças materiais. E mesmo assim não consigo dizer que perdi tudo. Porque meus filhos estavam aqui. Meu marido estava aqui. Nossa família estava aqui. E enquanto eles estivessem comigo, ainda existia um recomeço possível.

Passamos meses sem receber. Meses sem emprego. Meses em que, humanamente falando, as contas não fechavam. E, ainda assim, nada faltou. Nem sempre houve abundância. Nem sempre houve conforto. Mas houve provisão. Houve cuidado. Houve o pão de cada dia chegando exatamente quando precisava chegar.

A vida também tentou nos separar de muitos jeitos. Pelo cansaço. Pelas dificuldades. Pelas preocupações. Pelas circunstâncias que transformam casais em adversários quando deveriam permanecer aliados.

Mas continuamos juntos.

E isso também é resiliência.

Não porque somos fortes o suficiente.

A força pertence a Deus.

É Ele quem sustenta quando nossas pernas tremem. É Ele quem carrega quando não conseguimos dar mais um passo. É Ele quem nos mantém de pé quando tudo ao redor parece desabar.

Mas reconhecer que a força vem de Deus não significa negar a resistência que Ele constrói em nós.

Porque resiliência também é casca.

É a marca deixada pelas batalhas vencidas.

É a capacidade de continuar mesmo quando o coração está cansado.

É sobreviver sem endurecer.

É permanecer sem desistir.

É resistir sem perder a fé.

Resiliência não é ausência de sofrimento.

É descobrir, depois da tempestade, que você não foi definido por aquilo que tentou destruí-lo.

E quando olho para nossa história, não vejo uma família que nunca caiu.

Vejo uma família que Deus levantou muitas vezes.

E talvez seja isso que a resiliência realmente seja: não a força de quem nunca precisou de ajuda, mas a perseverança de quem aprendeu que Deus nunca deixou de sustentar suas mãos.

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