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06 maio 2026

Deus no ordinário

Eu conheci Deus no meio do caos.

Antes, eu só tinha ouvido falar dEle.
Falavam de um Deus bom, fiel, presente… mas, dentro de mim, só existia dor. E foi nessa dor que eu me agarrei às palavras de Jó — não pela fé, mas pelo desespero. Eu não buscava entendimento, eu buscava sobrevivência. Eu lia e via ali alguém que também queria que tudo acabasse. E aquilo, de um jeito estranho, me acolhia.

Eu gritava por socorro.
Para as pessoas ao meu redor, para a vida… e, mesmo sem perceber direito, para Deus também.
Mas enquanto muitos não conseguiam me ver — ocupados demais com suas próprias dores — Ele estava lá. Sempre esteve.

E eu… eu não via.

O tempo passou. A dor mudou de forma. A vida me atravessou de outros jeitos.
E então, um dia, algo dentro de mim também mudou.

Hoje, quando leio Jó, eu não vejo mais só o sofrimento.
Eu vejo alguém que perdeu tudo… e ainda assim permaneceu.
Alguém que chorou, questionou, sentiu o peso do mundo — mas não soltou Deus.

E, de alguma forma, eu entendi:
eu também fui sustentada.

Na enchente, na perda, no cansaço, na rotina pesada, no silêncio que parecia vazio…
Ele estava ali.

Hoje eu O vejo em tudo.

No barulho da casa cheia,
na bagunça que nunca termina,
no prato simples que alimenta,
no trabalho que cansa, mas sustenta,
na escassez que, mesmo apertando, ainda carrega provisão.

Eu vejo Deus no extraordinário, sim.
Mas principalmente no ordinário.

Eu não preciso mais de sinais grandiosos para saber que Ele está aqui.
Eu reconheço Sua presença no pouco, no hoje, no suficiente.

Talvez digam que eu espiritualizo tudo.
Mas a verdade é que eu só não quero voltar a ser cega.

Porque um dia eu não vi…
e mesmo assim Ele ficou.

Hoje eu vejo.
E isso mudou tudo.

Antes, eu só tinha ouvido falar de Deus.
Agora… eu O conheço