Nem sempre o "não pode" dos homens é o "não pode" de Deus.
Já aconteceu comigo mais de uma vez. Orei sobre algo esperando ouvir um "não" e, para minha surpresa, encontrei paz. Não porque Deus mudou Sua santidade. Não porque o pecado deixou de ser pecado. Mas porque eu havia confundido a voz de Deus com a voz da religiosidade.
É curioso como isso se repete em todas as gerações.
Na juventude dos meus pais, jogar bola ou ir ao cinema podia ser visto como algo errado. Na minha, músicas como rock gospel, rap gospel e até funk gospel foram demonizadas por muitos. Meu pai, que enfrentou julgamentos por causa do cinema, mais tarde me julgou por ouvir rap gospel. E, provavelmente, a próxima geração terá suas próprias listas de coisas "proibidas" que ninguém encontra nas Escrituras.
Não estou defendendo que tudo seja permitido. Deus continua sendo santo. O pecado continua sendo pecado. O Evangelho não muda conforme a cultura.
Mas existe uma diferença enorme entre a santidade de Deus e as regras que nós mesmos criamos.
Durante a pandemia, eu queria pintar o cabelo de colorido. Era uma vontade simples, quase boba. Algo que eu sempre quis fazer. Então fiz o que costumo fazer: orei.
E, para minha surpresa, não encontrei condenação.
Meu marido passou por algo parecido quando orou sobre produzir vídeos de videogame.
Em ambos os casos, eu já esperava uma resposta negativa. Não porque a Bíblia condenasse essas coisas, mas porque minha própria religiosidade tinha criado essa expectativa.
Às vezes somos tão influenciados pelos costumes do nosso grupo que passamos a acreditar que Deus pensa exatamente como nós.
Mas Deus não é religioso.
Jesus passou boa parte de Seu ministério confrontando pessoas que colocavam tradições acima das pessoas. Enquanto alguns estavam preocupados com regras, Ele estava preocupado com corações. Enquanto alguns discutiam aparências, Ele restaurava vidas.
E talvez seja por isso que tantas pessoas acabam se afastando. Não por rejeitarem a Cristo, mas porque receberam o peso de costumes humanos como se fossem mandamentos divinos.
Quantas pessoas foram julgadas por uma roupa, um corte de cabelo, um estilo musical, um hobby ou uma preferência que não tinha relação alguma com pecado?
Quantas vezes transformamos opiniões em doutrina?
Quando fazemos isso, corremos o risco de colocar fardos que Deus nunca colocou.
A santidade continua necessária. O arrependimento continua necessário. A cruz continua necessária.
Mas também é necessário lembrar que Deus é amor.
E amor não cria barreiras desnecessárias entre as pessoas e Cristo.
Por isso, antes de chamar algo de pecado, vale a pena perguntar: isso está realmente na Palavra de Deus ou apenas na tradição que eu herdei?
Porque às vezes Deus está dizendo "sim" exatamente onde a religião está gritando "não".
E talvez o Reino de Deus tenha espaço até para um cabelo colorido, um canal de videogame e, quem sabe, um funk gospel na aula de homeschool. 😆



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