01 junho 2026

Violência aumenta nas crises?

Em períodos de crise econômica, desastres naturais, guerras, deslocamentos forçados, epidemias ou situações de grande estresse social, costuma haver aumento dos registros e dos relatos de violência doméstica. Isso é observado por pesquisadores, órgãos públicos e organizações que trabalham com proteção de mulheres e crianças.

Jair Bolsonaro falou sobre isso na pandemia, quando era presidente no Brasil. Foi criticado pela sua fala polêmica... Que não estava errada, mas... Isso se justifica?

O estresse, a insegurança financeira, o luto, a perda de bens, a sobrecarga emocional e a sensação de falta de controle podem aumentar conflitos dentro de casa. Isso é um fato.

Mas existe uma diferença fundamental entre explicação e justificativa.

Entender os fatores que contribuem para o aumento da violência não significa aceitá-la. O estresse pode explicar por que algumas pessoas se tornam mais irritadiças, impacientes ou agressivas. Não explica nem justifica a decisão de agredir.

Milhões de pessoas enfrentam crises profundas sem levantar a mão contra seus companheiros, seus filhos ou qualquer outra pessoa.

A violência doméstica não deixa de ser violência porque o agressor estava cansado, desempregado, endividado, frustrado ou sofrendo. O sofrimento pode ser real. A agressão também é. E uma não anula a outra.

Mulheres e crianças não são válvulas de escape para a dor alheia. Não são objetos destinados a absorver a raiva, a frustração ou o desespero de ninguém. São pessoas, portadoras de dignidade, direitos e proteção legal.

Por isso, sociedades sérias reconhecem duas verdades ao mesmo tempo: crises podem aumentar os fatores de risco para a violência doméstica, e nenhuma crise transforma a violência em algo aceitável.

A primeira verdade ajuda a prevenir.

A segunda protege as vítimas.

Quando se confundem essas duas coisas, corre-se o risco de transformar uma explicação em desculpa. E a violência não precisa de desculpas. Precisa de responsabilização, prevenção, apoio às vítimas e acesso à justiça.

Toda pessoa pode sofrer. Nem toda pessoa escolhe ferir os outros por causa desse sofrimento.

Essa distinção é essencial.

Porque dificuldades econômicas passam. Desastres acabam. Crises terminam.

Mas as marcas deixadas pela violência podem permanecer por muitos anos na vida de mulheres e crianças que deveriam ter encontrado, dentro de casa, o lugar mais seguro do mundo. 🌿

Nenhum comentário:

Postar um comentário