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23 agosto 2013

Eis a minha história...

Post em homenagem a Daiane Dornelles, a Megan Foques, minha amiga morta essa essa semana, vítima de anorexia...

Se é para falar sobre a minha história - porque afinal esse era o objetivo inicial do blog, vou fazer isso.
Eu fui uma criança bem solitária. Até os quase dez anos, passava a maioria do tempo lendo uma pilha de livros que levava a todo canto como se fosse meus animais de estimação. Falava com amigos imaginários, via fadas e seres invisíveis diversos. 
Com mais ou menos dez anos, larguei um pouco os livros, e passei a brincar na rua o dia todo, com um bando de meninos, o que me fez ser uma menina bem "moleca". Jogava bola, brincava de pique-esconde e pega-pega até a noite, quando entrava para iniciar a sessão vídeo game. Bem, minha vida era assim até os doze anos.
Aliás, aos treze que tudo começou. Matei aula, fumei e passei a me vestir de gótica por um tempo. Transformei-me de repente, de moleca a adolescente rebelde, como por mágica. Tudo o que isso gerou foi uma mãe triste, o que eu nunca tinha visto acontecer. Ver minha mãe daquele jeito foi o que desencadeou minha depressão. Passei a me sentir a pior pessoa do mundo, e tentei me matar, por três vezes seguidas.
Depois disso, com a ajuda do meu pastor na época (eu sempre fui evangélica), acabei melhorando e conseguir voltar aquela vida de criança tardia. Voltei a brincar de boneca e pega-pega por um tempo, mas sem deixar de lado os namorinhos e as amizades de adolescente.
Tudo estava bem, até que toda minha vida virou de cabeça para baixo. Eu tinha dezesseis anos, quando uma mudança de escola e bairro, me fez ficar algum tempo sem amigos, sem vida social e sem as brincadeiras de sempre. Fiquei meio deprimida, trancada dentro de casa, descobri e me viciei no mundo dos fakes (época do orkut ainda) e passei a viver a vida daqueles perfis falsos. Por um certo tempo, achava que aquilo não faria mal algum. Até que percebi que eu simplesmente não me interessava mais pelas coisas legais da vida real. Não gostava de sair para viajar com meus pais, faltava muita aula, e não fazia qualquer outra coisa além de ficar na frente do computador quase 24 horas por dia. Eu estava engordando muito rápido, tinha perdido contato com todos meus amigos e minha família já estava ficando preocupada. Então, eu me apaixonei por uma namorada de um dos perfis falsos. Sim, por uma garota que não existia. E então, eu parei de entrar lá.
E então, eu conheci os blogs ana/mia. Pelo fato de ter engordado muito, passei a comer menos, e sempre que comia muito, eu tentava forçar o vômito. Nessa época, eu ainda não sabia nada sobre transtorno alimentar, até já tinha ouvido falar, mas não achava que isso tivesse algo a ver com que estava fazendo. Fiz um blog ana (aprincessanna.blogspot.com), conheci mais de vinte garotas iguais a mim, e aos poucos, me vi emagrecendo facilmente, sem notar que estava me destruindo. O pior dano que a anorexia e a bulimia fazem não é o físico. O pior é o que faz com o seu psicológico. Passei a olhar para o espelho e me ver cada vez mais gorda, apesar de os números na balança estarem diminuindo. Não me importava de morrer, desde que fosse magra. Não me preocupava com as pessoas que gostava de mim, só com a Ana e a Mia (apelidos bonitinhos, para anorexia e bulimia). Me machucava todos os dias com vômitos, jejuns, dietas exageradas, remédios fortes, misturas de remédios e laxantes. Via minha mãe chorar por mim, e não me importava, a única coisa que me deixaria feliz era ver meus ossos aparecendo. Eu estava morrendo aos poucos, mas também não me importava com isso.
Nesse meio tempo, abandonei a igreja e passei a experimentar religiões diversas, para ver se encontrava algo que me libertasse daquilo. Saía para festas, namorava, mas nada daquilo me fazia me livrar da depressão e do transtorno alimentar. Com o tempo, fui me isolando, negando convites a festas e passeios em que houvesse comida e passei a ficar quase todo meu tempo livre fazendo exercícios físicos ou contando calorias.
Isso durou quase quatro anos, até que eu ficasse com anemia profunda. Perdi quase todo meu cabelo, estava ficando doente de verdade, e poderia morrer se aquilo não fosse tratado. Apesar disso, parecia que tudo era mais forte que eu, e continuei vomitando, e muitas vezes ficando sem comer, mas fazia isso fora de casa, para não deixar minha mãe mais preocupada do que já estava. Fui ficando cada vez mais doente, até que meu médico e minha psicóloga me disseram para que parasse com aquilo, ou morreria.
Eu tentei. Sozinha, tentava parar com tudo aquilo, mas a cada nova compulsão (comer sem parar), me via chorando no banheiro por não conseguir parar com aquilo tudo sozinha. Não queria pedir para minha mãe me levar ao psiquiatra, porque achava que antidepressivos me faziam ter uma felicidade artificial e não queria aquilo. Queria ser feliz DE VERDADE. E foi então que tive a ideia. Depois de voltar para os trabalhos da igreja (sabia que aquilo me faria bem) e procurar os velhos amigos, além de fazer novos, eu passei a fingir, sim, fingir, que era feliz. Dizia para mim mesma e para os outros que era bonita, que me sentia bem com meu corpo e que era feliz daquele jeito. Repeti essa tática por uns bons seis meses, até finalmente perceber que eu acreditava naquilo. 
Hoje, sou líder de um grupo de dança na igreja, e tenho um grupo de teatro, além de cantar no coral de jovens e me envolver bastante no grupo de jovens. Procuro fazer o que posso para ter uma vida saudável, como bem (até demais haha) e nunca mais tive problemas com peso. Estou acima do peso, sim, mas e daí? Sei que sou bonita, feliz, e que toda a minha vida agora é dedicada ao Senhor e planejada por Ele.

04 janeiro 2012

Um vicio chamado Tumblr (Penso Assim)

Tem gente viciada em alcool, cigarro ou drogas. Tem gente viciada em doces, comida ou até um descontrole emocional. Tem gente viciada em leitura, ou cortes, ou televisão. Tem gente viciada em vampiros, ou contos de fadas, ou historias de terror.
Eu já fui viciada em tanta coisa.
Ouve a época que era viciada em comida. Comida pra caramba. Ouve a época em que era viciada em vampiros e andava de preto por aí. Ouve a época em que era viciada em rebeldia. Ouve a época em que era viciada em ler e passava doze horas do meu dia com a cara nos livros. Ouve a época em que era viciada em videogame, e passava quase 18horas por dia na frente dele.
E houve a época do Fake, que foi o pior vício que tive, que passava cerca de 15 a 24 horas por dia em frente ao computador, fingindo uma vida que não era minha. Isso não só acabou com a minha vida social, como me deu motivos pra esquecer totalmente a minha vida (na época, eu tava passando por uma barra gigante, e o fake me ajudou a sair um pouco desse drama, porque me alienei na "vida" virtual que fiz ali. Tinha cerca de oito fakes, e usava todos eles. Eu era muito viciada. Cheguei ao ponto de querer trocar minha familia pela familia virtual e até me apaixonei por um fake (não pela pessoa por tras do fake, mas pelo fake em si) e na minha cabeça, que não queria acreditar que ele não existia) ele era exatamente como o fake dele. Isso me fez surtar tanto, que eu virei uma adolescente meio paranoica, até que meu amigo que me apresentou o Mundo Fake, percebeu que eu estava ficando maluca já, e mandou que eu excluisse eles. Eu não exclui. Mas desativei por um bom tempo, a só voltei (por alguns minutos) um ano depois, pra dizer que estava bem, e que estava passando meus fakes a minha sobrinha (ensinando vicios, haha). E foi assim que me livrei dos fakes.
Agora, há o Tumblr. O Tumblr é o motivo da minha existência. Ele é simplesmente minha vida, meu eu, tudo o que acontece na minha vida sem graça. Eu não tenho amigos, nem vida social e nem trabalho ou coisa alguma. E o Tumblr acabou se tornando meu mundo, acabou se tornando a forma de me tirar do tédio. E eu não quero me livrar dele. Nunca!Por isso, se um dia eu tiver tão viciada, a ponto de me apaixonar por alguém do Tumblr, foda-se. Não me importo se ele der ou não bola pra mim, vou seguir até o fim, porque o Tumblr é a minha vida, então porque não se apaixonar por alguém dele?

Não recomendo a iniciação de nenhum dos vicios citados.